
No meu anseio de procurar algo, encontrei isso em um papel amassado no fundo de minha caixa verde...
“O caminho trilhado muitas vezes é confuso, impetuoso e turbulento. Outras vezes, porém, parece tudo tão claro e óbvio que viver, acaba sendo uma simples tarefa. Busco de forma intensa e profunda algo, que nem ao menos sei o que é. Imagino, fantasio e, porque não, invento. Procuro milhões de maneira de tentar entender o mundo a minha volta, as pessoas que me cercam e a vida que me abraça. No entanto quando, penso que comecei a entender alguma coisa, que estou indo no rumo certo, me olho no espelho. Intrigo-me com os meus próprios olhos castanhos. Desisto. Nem ao menos sei o que tem por trás desses arregalados olhos castanhos, quiçá saber alguma coisa da vida. Peguei-me agora pensando, por qual razão estou agora escrevendo isso? Tenho quase certeza que ninguém, além de mim e você, irão ler esse papel de caderno velho e amassado. Acabo de lembrar Helena. Sempre a olhava e a admirava por conta daquele caderno rabiscado e engraçado que ela trazia nos braços, pra lá e para cá. Acho que tudo o que ela sentia e pensava lá estava contido, suponho, pois nunca cheguei a perguntá-la o que ali tanto escrevia. Acreditava que deveria ser algo muito pessoal, então, sempre a deixava sozinha com seus pensamentos e um rabiscado caderno verde. 21/02/2007”
Lembro perfeitamente de ter te mostrado esse texto em uma ocasião. Foi então que achei, dobrado dentro de um envelope a tua resposta.
“O desejo inato de conhecer o mundo e a vida, todos têm, se isso te conforta amiga...O bom da vida é que sempre há alguém que se importa; sempre. No entanto, às vezes, a gente quer, no fundo, que essa pessoa não exista, para que nosso caminho seja mais árduo, mais diferente de toda essa massificação banalizada chamada vida. Por isto a escrita: para que pelo menos nossos sentimentos se eternizem. Parabéns pelas palavras. Nunca desista! Um beijo do teu eterno amigo.”
Olhos marejados e sentimentos eternizados. Sinto a tua falta, amigo.